5 Alimentos que Dão Cólica no Bebê: Mitos e Experiência

alimentos que dão cólica no bebê

Nota: Este artigo relata uma experiência pessoal sob a perspectiva de pai. A relação entre a alimentação materna e a cólica varia para cada criança. Sempre consulte o pediatra antes de restringir a dieta da família.

Ver nossa bebê chorando de dor partia nossos corações. Foi então que começamos a pesquisar sobre os alimentos que dão cólica no bebê e a prestar mais atenção na alimentação aqui de casa durante a amamentação, tentando descobrir se algum ingrediente consumido pela mãe poderia estar aumentando o desconforto e os gases dela.

No começo, achei que muitas das recomendações que ouvia eram apenas mitos populares ou “palpites” sem fundamento. Mas, com o passar das semanas, observando atentamente o comportamento da nossa filha após as mamadas, percebi que alguns itens pareciam sim deixar os episódios de choro visivelmente mais intensos.

É claro que cada recém-nascido é único. O que deu reação na nossa filha pode não acontecer com o seu filho. O organismo reage de forma individual à maturação do sistema digestivo e aos componentes que passam para o leite materno.

Mesmo assim, acredito que compartilhar a nossa experiência e os aprendizados de pai no dia a dia pode ajudar outras famílias. No post de hoje, vou explicar o que observei em cada item, incluir outros alimentos que costumam ser vilões e compartilhar o método prático que usamos para identificar os gatilhos.

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Os 5 Alimentos Que Mais Deram Cólica na Nossa Bebê

Abaixo, detalho como foi a nossa observação com cada um desses alimentos que dão cólica no bebê durante a amamentação

1. Café e Bebidas Cafeinadas

Eu e minha esposa sempre gostamos de tomar café, especialmente para encarar as noites mal dormidas depois que o bebê nasceu. Afinal, qualquer pai ou mãe sabe que uma xícara quente dá as forças necessárias para continuar o dia.

Foi aí que comecei a perceber um detalhe: nos dias em que o consumo de café era maior, nossa filha parecia ficar mais agitada e demorava muito mais para relaxar. Como o fígado do recém-nascido ainda está em desenvolvimento, ele demora mais para eliminar a cafeína do corpo. Reduzir o café fez uma diferença enorme na irritabilidade vespertina dela.

Dica prática de pai: Se você desconfia que o café pode ser um dos alimentos que dão cólica no bebê, experimente reduzir a quantidade por alguns dias (ou optar pelo descafeinado) e observe.

2. Pinhão

Como moro em uma região onde o pinhão faz parte da culinária local durante a safra, era comum ele aparecer no nosso prato. Confesso que foi um dos itens que mais me surpreendeu.

Sempre que o pinhão era consumido no almoço, percebia que a bebê apresentava mais gases e ficava com a barriguinha dura. O pinhão é uma semente rica em amidos complexos e fibras que sofrem grande fermentação no intestino.

Dica prática de pai: Se estiver tentando descobrir o que aumenta o desconforto, vale a pena anotar quando consumir sementes e grãos mais pesados e observar as 12 horas seguintes.

3. Pimenta e Temperos Picantes

A pimenta foi um dos primeiros temperos que resolvemos testar quando comecei a desconfiar da relação entre a alimentação e o bem-estar do bebê.

Percebi que, sempre que preparávamos refeições mais apimentadas, nossa filha chorava mais e ficava irritada durante as mamadas. A capsaicina, componente ativo da pimenta, é conhecida por passar em pequenas quantidades para o leite materno.

Segundo o banco de dados LactMed (NIH), há relatos de bebês que desenvolveram vermelhidão e irritação na pele (rosto, pescoço ou região da fralda) poucas horas depois de a mãe consumir alimentos apimentados — o que reforça que vale a pena observar a reação do seu filho, seja na pele ou no comportamento, sempre que testar um novo tempero na dieta. No nosso caso retirar a pimenta por um período trouxe um alívio visível.

Dica prática de pai: Se vocês gostam de comidas apimentadas, experimentem ficar cerca de uma semana sem consumi-las e vejam se o padrão de choro muda.

4. Cebola (Principalmente Crua)

A cebola é frequentemente citada entre os alimentos que dão cólica no bebê devido à presença de frutanos — carboidratos que fermentam facilmente no trato digestivo.

Depois de algumas semanas de observação, percebi que, quando a cebola era consumida crua (em saladas), nossa bebê costumava ter noites mais agitadas, com bastante contorção. Diminuir o consumo e refogá-la bem ajudou bastante a manter a tranquilidade aqui em casa.

Dica prática de pai: Antes de eliminar a cebola totalmente, tente apenas refogá-la bem e reduzir a quantidade nas preparações.

5. Chocolate

O chocolate foi difícil de cortar depois de uma noite maldormida, aquele pedaço à tarde parecia o único respiro do dia. Mas foi justamente aí que percebemos o padrão.

Ao cruzar as anotações do nosso diário com o comportamento da bebê, ficou claro: chocolate no meio da tarde resultava em mais gases e uma noite mais agitada.

O chocolate reúne cafeína, teobromina e açúcar — uma combinação que pode acelerar o trânsito intestinal do bebê e causar irritabilidade, além de o fígado do recém-nascido ainda demorar mais para eliminar essas substâncias do organismo (o mesmo motivo pelo qual o café também entrou na nossa lista).

Um estudo publicado no Journal of the American Dietetic Association (Lust, Brown & Thomas, 1996), que acompanhou 272 mães amamentando, encontrou associação entre o consumo materno de chocolate, cebola, leite de vaca e vegetais crucíferos e sintomas de cólica em bebês exclusivamente amamentados — reforçando que vale a pena observar o comportamento do seu filho ao testar esses alimentos na dieta.

Dica prática de pai: Se o chocolate é seu ponto fraco também, experimente trocar por opções com menos cafeína/teobromina (chocolate branco tem bem menos) por uma semana e observe se o padrão muda.

Outros Alimentos Que Podem Provocar Gases e Cólica no Bebê

alimentos que causam cólica no bebê

Aprofundando a pesquisa no universo materno-infantil, descobri que outros itens também são associados a desconfortos abdominais nos lactentes:

  • Leite de Vaca e Derivados: As proteínas do leite (como a caseína) podem passar para o leite materno. Em bebês com sensibilidade ou APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca), queijos, requeijão e leite consumidos pela mãe podem gerar cólicas fortes, refluxo e alterações nas fezes.
  • Leguminosas (Feijão, Grão-de-Bico, Lentilha e Ervilha): Contêm oligossacarídeos que fermentam no intestino. Fazer um remolho longo (deixar os grãos em água com gotas de limão por 24 horas, trocando a água) reduz drasticamente os antinutrientes que causam gases.
  • Vegetais Crucíferos (Brócolis, Couve-Flor, Repolho e Couve): Contêm enxofre e fibras solúveis que produzem excesso de gás durante a digestão.
  • Refrigerantes e Bebidas Gaseificadas: O gás carbônico e os aditivos podem impactar a digestão e o bem-estar do bebê lactente.

Como Descobri os Alimentos Relacionados às Cólicas

A melhor estratégia que encontrei como pai para ajudar minha esposa foi criar um diário de bordo simples da nossa rotina. Todos os dias, anotávamos em um caderno:

  1. Tudo o que a mãe comia e bebia no dia.
  2. O horário exato das refeições e das mamadas.
  3. Os momentos em que a bebê apresentava dor, gases ou choro.

Depois de duas a três semanas, começamos a enxergar padrões claros. Isso nos ajudou muito mais do que sair cortando vários alimentos nutritivos da dieta de uma vez só.

Se vocês estão descobrindo agora o que funciona para o pequeno, recomendo conferir a nossa lista de coisas para bebê com a seleção completa que gostaríamos de ter encontrado na gravidez, pois ter os itens certos em casa facilita muito o manejo do dia a dia.

Nem Toda Cólica Está Relacionada à Alimentação

Uma lição fundamental que aprendi na minha jornada de estudos sobre a infância é que nem todo choro tem relação com o que a mãe come. As dores nos primeiros meses são multifatoriais e ocorrem por motivos naturais:

  • Imaturidade do sistema digestivo: O intestino do bebê ainda está aprendendo os movimentos de peristaltismo.
  • Engolimento de ar (Aerofagia): Uma pega incorreta faz o bebê engolir ar. Se esse for o caso aí na sua casa, vale a pena entender por que o bebê mama toda hora e como identificar se é livre demanda.
  • Excesso de estímulos (Estresse no fim do dia): O sistema nervoso do recém-nascido se sobrecarrega com sons e luzes, expressando o cansaço no choro. Se a sua filha só acalma assim, veja nosso artigo onde explico o que fazer quando o bebe só dorme no colo.
  • Desenvolvimento da flora intestinal: A colonização de bactérias benéficas no intestino do bebê está apenas começando.

Checklist de Pai: 10 Dicas Para Identificar os Alimentos que Dão Cólica no Bebê

  • [ ] 1. Registre os sinais: Observe se o desconforto aumenta poucas horas após o consumo de um alimento.
  • [ ] 2. Faça um diário alimentar: Anote o cardápio e os horários de choro de forma simples.
  • [ ] 3. Evite restrições drásticas: Não retire grupos alimentares sem necessidade confirmada.
  • [ ] 4. Tenha paciência: Acompanhe o comportamento por alguns dias antes de tirar conclusões.
  • [ ] 5. Consulte o pediatra: Peça orientação profissional antes de eliminar itens essenciais.
  • [ ] 6. Mantenha a nutrição materna: Garanta que a mãe faça refeições equilibradas.
  • [ ] 7. Avalie outros sintomas: Observe se há refluxo, assaduras ou alterações nas fezes. Para aprender a reconhecer os sinais corporais do seu filho, acesse o guia de como saber se o bebê está com cólica.
  • [ ] 8. Verifique a pega na amamentação: Confirme se o vedamento labial no peito está correto para evitar a entrada de ar.
  • [ ] 9. Faça testes isolados: Teste um alimento por vez para identificar possíveis gatilhos.
  • [ ] 10. Lembre-se da individualidade: Cada bebê é único. O que afetou a minha filha pode não afetar o seu.

O Papel do Pai no Alívio Imediato das Cólicas

Sei como é desgastante ver o pequeno chorando e sentir aquela sensação de impotência. Além de prestar atenção nos alimentos que dão cólica no bebê, aprendemos que o envolvimento ativo do pai faz toda a diferença para dar um descanso à mãe.

Enquanto ela foca na amamentação, assumo o momento pós-mamada. O que realmente nos ajudou no alívio imediato foi:

  • Contato pele a pele: O calor do peito dos pais ajuda a relaxar a musculatura abdominal.
  • Massagens e “Bicicletinha”: Fazer movimentos circulares na barriguinha no sentido horário e dobrar as perninhas suavemente ajuda na liberação de gases.
  • Uso do sling: Manter o bebê na vertical e juntinho ao corpo traz aconchego e alivia a dor.
  • Ajuste no sono: Quando o bebê sente dores abdominais, as noites são as mais afetadas. Para te ajudar a recuperar a rotina, confira o nosso artigo sobre quando o bebê dorme a noite toda.

Conclusão

Na nossa experiência de pais, os alimentos que dão cólica no bebê com mais frequência foram o café, o pinhão, a pimenta, a cebola e o Chocolate. No entanto, o aprendizado mais valioso não foi banir esses itens para sempre, mas sim aprender a observar os sinais da nossa filha com calma e manter um registro simples.Entender quais são os alimentos que dão cólica no bebê e manter a calma foi o nosso maior aprendizado nessa fase inicial.

Se você está vivenciando esse momento desafiador, lembre-se: essa fase passa. Aos poucos, vocês vão conhecendo os sinais do seu filho, ganhando confiança nas decisões e tudo vai ficando mais leve.

O Que Diz a Ciência e os Órgãos de Saúde?

Para não ficarmos apenas no campo das experiências pessoais, é essencial entender o que a literatura médica e as diretrizes oficiais de pediatria orientam sobre a alimentação da mãe e as cólicas no recém-nascido: * **Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):** O guia oficial da SBP sobre *Cólica do Lactente* destaca que o choro é parte do desenvolvimento neurológico e digestivo do bebê.

A entidade reforça que **não se justifica a exclusão drástica de alimentos** da dieta da mãe sem orientação médica prévia, alertando que a imaturidade do tubo digestivo é a causa primária na maioria dos casos e que o aleitamento materno exclusivo jamais deve ser interrompido.

* **American Academy of Pediatrics (AAP):** A Academia Americana de Pediatria reconhece que, embora o leite materno seja a nutrição perfeita, pequenas partículas alimentares podem passar para o leite. Estudos publicados pela AAP indicam que dietas de eliminação (como a retirada temporária de leite de vaca e alimentos de alta fermentação) podem reduzir a irritabilidade em um grupo específico de bebês sensíveis, mas recomendam que qualquer teste de exclusão dure apenas de 1 a 2 semanas antes de reintroduzir os alimentos.

* **Ministério da Saúde:** O *Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos* orienta que a mãe lactante deve manter uma alimentação variada, com alimentos in natura, evitando ultraprocessados. Bebidas com cafeína (café, chás pretos, refrigerantes) devem ser consumidas com moderação, pois o metabolismo do bebê elimina a substância muito mais devagar, gerando agitação. —

Continue Lendo Nossa Série Sobre o Sono Infantil:

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Nando Araujo é pai e fundador e editor principal do Alma Feminina. Encontrou no meio digital a oportunidade perfeita para unir duas grandes paixões: compartilhar informações transformadoras e construir mais tempo de qualidade ao lado da sua família. Dedica-se a pesquisar a fundo o universo materno-infantil, com a missão de traduzir a literatura científica e as orientações de fontes médicas confiáveis em conteúdos claros, práticos e acolhedores para mães e pais. Nando reforça em suas publicações a importância vital da rede de apoio e do acompanhamento por profissionais de saúde qualificados durante a gestação e o desenvolvimento do bebê.